Saúde

Profissionais de saúde alertam sobre o consumo de drogas e da automedicação

Dados demonstram que 50 pessoas morrem diariamente no Brasil por se automedicarem


por Canal Dez
29/06/2026 às 13:22 Fernandópolis
Profissionais de saúde alertam sobre o consumo de drogas e da automedicação
O médico psiquiatra Marcelo Scalise de Fernandópolis, foi o palestrante de abertura das comemorações do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas. O evento ocorreu nesta segunda-feira, dia 29, no Teatro Municipal “Merciol Viscardi”. Ao destacar a importância da campanha antidrogas, o médico fez um forte alerta: “Quando a família não abraça, a rua abraça. E quando a rua abraça, é um abraço”.

O alerta do médico foi direcionado aos profissionais de saúde presentes e ao público em geral, desenhando um cenário preocupante sobre a realidade das drogas ilícitas no Brasil. Scalise destacou que o país ocupa hoje o topo do ranking mundial em número de dependentes de crack e a segunda posição em consumo de cocaína.

Segundo a enfermeira Maísa Borges de Oliveira, coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (CAPS AD) da prefeitura, Fernandópolis conta atualmente com cerca de 300 pessoas em tratamento. Nesse grupo, incluem-se também os dependentes de substâncias lícitas, como o álcool. A coordenadora ressaltou que a campanha “Junho Branco” busca promover uma cultura de cuidado, diálogo e responsabilidade, unindo toda a sociedade civil.

Em sua fala, o psiquiatra demonstrou grande preocupação com o consumo desenfreado de bebidas alcoólicas no país. Apoiado em dados estatísticos, ele afirmou que os brasileiros consomem um volume expressivo de álcool e que pelo menos 20% desse público desenvolve algum grau de dependência química. Apesar de salientar os avanços da medicina no desenvolvimento de fármacos para enfrentar essa "epidemia" que invade a sociedade, o médico defendeu que a primeira e mais importante barreira é social. 

Antes de qualquer medicamento, ele preconiza o acolhimento familiar e o investimento em políticas públicas voltadas aos jovens, como o incentivo à prática de esportes, a criação de áreas de lazer e convivência e a orientação comunitária.

No campo científico, Scalise citou a Calixcoca — vacina em fase de testes desenvolvida pela UFMG que promete bloquear os efeitos da cocaína no organismo. Ele reforçou que tratamentos medicamentosos já surtem efeitos práticos e positivos na atualidade, inclusive para a dependência de cannabis. “Tratei um paciente que fumava 20 cigarros de maconha por dia; agora, ele não consome nem meio”, revelou o especialista.

O perigo da automedicação

O evento também abordou os riscos das drogas lícitas, com foco nos medicamentos vendidos nas farmácias. A farmacêutica Vanessa Rizzato alertou que o uso abusivo de remédios colocou o Brasil na liderança mundial de casos de intoxicação. “De cada dez brasileiros, nove se automedicam. Esse hábito provoca a morte de 20 mil pessoas por ano no país, o que representa cerca de 50 óbitos por dia”, lamentou a profissional.

Além da intoxicação grave, a farmacêutica apontou que a facilidade de compra de medicamentos gera o mascaramento de sintomas e atrasa diagnósticos precisos, dificultando a cura de patologias reais. “Ainda bem que proibiram a venda de antibióticos sem receita médica”, recordou Vanessa.

O encontro contou ainda com palestras da psicóloga Bruna Carrara, do CAPS AD, que compartilhou as experiências da equipe no acolhimento diário aos pacientes; de um representante da Comunidade Terapêutica Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus (de Estrela d’Oeste); e de membros da Pastoral da Sobriedade. O evento consolidou-se como um espaço de debate focado em prevenção, tratamento, acolhimento e na reinserção social de pessoas com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas.