A Secretaria Municipal de Agricultura Pecuária e Abastecimento de Fernandópolis foi palco de mais um encontro que marcou a Semana de Combate à Violência contra a Mulher cujo tema foi “O enfrentamento à violência contra a mulher”.
Desta vez, o foco foi a mulher do campo. Entre os cerca de três mil moradores da área rural identificados pela Secretaria de Saúde da cidade, a maioria é constituída por mulheres, que precisam ter a mesma proteção garantida às moradoras do perímetro urbano.
O recado dado no evento foi claro para todos os participantes — entre os quais havia muitos homens: os canais de denúncia precisam ser amplamente divulgados e nenhum caso de violência doméstica deve ser jogado para "debaixo do tapete".
O secretário Waldir Bassan abriu os trabalhos no período da tarde e lembrou que uma pasta como a da Agricultura tem a obrigação de discutir esse assunto. Ele ressaltou que muitas mulheres estão inseridas no agronegócio e enfrentam desafios diários.
A Polícia Ambiental alertou para as dificuldades de comunicação existentes no meio rural, o que compromete o pedido de socorro de uma mulher vítima de violência. Segundo uma representante da corporação, as vítimas muitas vezes têm dificuldade para apontar com precisão o local da ocorrência.
Entre as sugestões apresentadas está a divulgação do uso do Google Maps, que possui um mecanismo capaz de identificar a localização exata por meio de coordenadas geográficas. Paralelamente, a Polícia Militar informou que realiza rondas diurnas e noturnas na zona rural para prevenir agressões.
Quem também tem feito um trabalho essencial para identificar esses abusos é a Secretaria de Saúde. Segundo a coordenadora de projetos Josiane de Matos Vanzea, os agentes de saúde mantêm contato constante com os moradores e buscam identificar lares onde ocorra violência doméstica.
Josiane salientou que a mulher protegida é aquela que também tem suas saúdes física e mental preservadas. O programa Saúde no Campo tem procurado atingir justamente o público feminino. Além do cuidado com as moradoras rurais, ela alertou que os filhos também precisam de atenção especial, destacando o papel fundamental das vacinas.
No evento, na secretaria da Agricultura, o programa ofereceu consultas, medição de pressão, glicemia, testes rápidos e orientações. Muitas mulheres que estiveram no local aproveitaram para checar a saúde.
Um dos pontos altos deste evento foi a participação da advogada Vanessa Buosi do OAB para Elas, que tem participado ativamente desta semana de combate à violência contra a mulher. Ela mostrou dados assustadores com a 1571 feminicídios ocorridos no ano passado, o que representou quatro morte por dia no Brasil.
A advogada lembrou que a Lei Maria da Penha que completa 20 anos foi a maior conquista das mulheres. Ela relata que no início do século passado as mulheres eram tratadas como crianças, submissas as ordens do marido para trabalhar fora ou realizar qualquer tarifa.
O evento também contou com a participação das Agroligadas. Elisa Bassan explicou sobre a importância da participação das mulheres nos empreendimentos e na geração de rendas e citou os cursos do Senar, que proporcionam autonomia e renda para muitas moradoras do meio rural.
A Orquestra de Violeiros também participou do evento e foi muito elogiada pelo público.