Fernanda Canassa — Terapeuta
Quando falamos em compreender nossos padrões emocionais e familiares, é comum pensarmos apenas em histórias, vÃnculos e memórias. Mas existe uma outra dimensão que muitas vezes esquecemos, principalmente nós, mulheres, que aprendemos a viver tanto para os outros: o corpo.
A psicobiologia do estresse e os estudos sobre trauma e desenvolvimento mostram que experiências de estresse prolongado podem influenciar a forma como o organismo responde às situações do dia a dia, envolvendo mecanismos relacionados ao sistema nervoso, ao sono, à atenção e à regulação emocional.
Isso nos ajuda a compreender que algumas respostas que parecem "falta de força", aquele cansaço que não passa, a dificuldade de relaxar, a sensação de estar sempre alerta, podem, na verdade, estar relacionadas a formas que o organismo encontrou para lidar com experiências e situações percebidas como ameaçadoras ou exigentes. Muitas vezes, isso vem de anos sustentando a casa, a famÃlia, o trabalho e os sentimentos de todos ao redor.
Por isso, quando falamos de cuidado emocional, não estamos falando apenas de pensamentos. Estamos falando de uma mulher inteira: sua história, seus vÃnculos, suas experiências e também seu corpo.
É uma visão que se aproxima de uma compreensão mais ampla do ser humano, em que aspectos emocionais, biológicos e relacionais estão interligados.
E isso muda a pergunta
Em vez de:
"Por que eu sou assim?"
Talvez possamos começar a perguntar:
"O que aconteceu comigo?"
"O que eu aprendi sobre precisar ser forte?"
"Que padrões eu aprendi a repetir?"
"O que o meu corpo e a minha história estão tentando me mostrar?"
Essas perguntas não servem para nos colocar no lugar de vÃtimas da nossa história. Elas podem nos ajudar a desenvolver consciência e, a partir dela, construir novas possibilidades.
Um olhar terapêutico que une corpo, emoção e história familiar
É a partir dessa compreensão mais ampla que conduzo meu trabalho como terapeuta. Uso partes da Constelação Familiar e abordagens biológicas como ferramentas para olhar para os padrões que se repetem em uma história, não para julgá-los, mas para trazer consciência sobre eles e abrir espaço para novas escolhas.
Nesse processo, não separo a mulher da sua história nem da sua experiência corporal. Olhar para os vÃnculos familiares, para o que foi herdado ou silenciado, e para como tudo isso se manifesta no corpo e no comportamento faz parte de um mesmo cuidado, integrado e respeitoso com o tempo de cada uma.
Se você se identificou com alguma dessas perguntas, este pode ser um bom momento para começar a olhar para a sua própria história com mais consciência e menos julgamento.
No meu trabalho, costumo olhar para quatro grandes áreas da vida, buscando trazer equilÃbrio entre elas: a relação com a famÃlia de origem (pai e mãe), a identidade, quem você realmente é , os relacionamentos amorosos e a vida profissional. Olhar para essas quatro áreas em conjunto ajuda a compreender melhor os próprios padrões e a atravessar os desafios com mais leveza. Não que os problemas deixem de existir, mas você passa a lidar com eles com mais clareza e outro olhar.
Fernanda Canassa — Terapeuta
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