Pe. Rodolfo Cabrini de Oliveira Chanceler da Diocese de Jales e pároco da Paróquia São João Batista, de Santa Fé do Su
A solenidade dos apóstolos São Pedro e São Paulo nos coloca diante de duas grandes colunas da Igreja. Pedro, o pescador da Galileia, chamado por Cristo a confirmar os irmãos na fé. Paulo, o perseguidor convertido, enviado como apóstolo das nações. Ambos, com histórias diferentes, temperamentos distintos e missões próprias, foram unidos pela mesma paixão e missão: anunciar Jesus Cristo como Senhor e entregar a vida pelo Evangelho.
Pedro representa a firmeza da fé que nasce do encontro pessoal com Cristo. Foi ele quem professou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Sua história é marcada por fragilidades, medo e queda. Pedro negou o Senhor, chorou amargamente, mas foi reerguido pela misericórdia. Sua missão não se apoia na perfeição humana, mas na graça de Deus. Ele nos ensina que a Igreja não é formada por pessoas impecáveis, mas por discípulos chamados continuamente à conversão.
Paulo, por sua vez, manifesta a força transformadora do Evangelho. De perseguidor dos cristãos, tornou-se um missionário incansável. Sua vida recorda que ninguém está definitivamente perdido quando se deixa alcançar por Cristo. Paulo atravessou cidades, culturas, conflitos e perseguições para anunciar que a salvação é dom de Deus oferecido a todos. Nele, a Igreja contempla a coragem missionária, a inteligência da fé e a disposição de dialogar com o mundo sem trair a verdade do Evangelho.
Ao celebrar Pedro e Paulo a Igreja reassume nos dias de hoje a mesma responsabilidade cristã. Em um mundo marcado por guerras, divisões, migrações forçadas, desigualdades sociais, crise de sentido, fragilidade das famílias, solidão, cultura digital acelerada e difusão de mentiras, os cristãos são chamados a ser presença evangélica. Não basta conservar uma fé intimista ou meramente formal. O discípulo de Cristo deve tornar-se sinal visível de esperança, sal da terra e luz do mundo.
Ser sal da terra significa não permitir que a indiferença, a corrupção, o egoísmo e a violência se tornem normais. Significa agir com retidão, promover a justiça, defender a dignidade humana e cultivar a paz. Ser luz do mundo, por sua vez, não significa aparecer ou buscar prestígio. A luz cristã é humilde, mas necessária. Ela ilumina sem ferir, orienta sem dominar, aquece sem destruir. Em tempos de confusão moral, relativismo, discursos agressivos e perda de referências, cada cristão é chamado a testemunhar a verdade com caridade. A luz do Evangelho não se impõe pela força, mas convence pela coerência da vida, pela misericórdia, pelo serviço e pela fidelidade.
Pedro e Paulo continuam a falar à Igreja de hoje. Pedro nos recorda a importância da comunhão, da fidelidade à fé e da unidade eclesial. Paulo nos impulsiona à missão, ao anúncio corajoso e ao diálogo com os povos e culturas. Sem Pedro, corre-se o risco de uma fé sem raízes e sem Paulo, corre-se o risco de uma fé sem ardor missionário. Unidos, eles mostram que a Igreja é chamada a permanecer firme em Cristo e, ao mesmo tempo, sair ao encontro do mundo. Que, a exemplo de São Pedro e São Paulo, cada cristão tenha
a coragem de professar a fé, a humildade de recomeçar, a alegria de evangelizar e a fidelidade de entregar a vida, dia após dia, promovendo a expansão do Reino de Deus neste mundo.
Santa Fé do Sul, 29 de junho de 2026