Por Fernanda Canassa | Terapeuta
Quando perguntamos a alguém se está tudo bem, estamos disponíveis para ouvir uma resposta diferente de “sim”?
Neste Setembro Amarelo, quero começar por essa reflexão. A campanha de prevenção do suicídio nos convida a falar sobre sofrimento emocional, mas também a observar como recebemos aquilo que o outro consegue compartilhar.
Como terapeuta, considero fundamental que a escuta seja acompanhada de respeito pela história de cada pessoa. Antes de interpretar, aconselhar ou sugerir mudanças, precisamos abrir espaço para compreender o que está sendo vivido.
Há momentos em que alguém precisa conseguir dizer: “Está difícil”, “Estou me sentindo sozinha” ou “Não sei como continuar assim”, sem que a conversa seja imediatamente preenchida por conselhos.
Acolher envolve tolerar não ter uma resposta pronta. Envolve perguntar com cuidado, ouvir sem comparar histórias e reconhecer que uma experiência pode ser dolorosa mesmo quando não conseguimos compreendê-la por inteiro.
Na forma como compreendo meu trabalho, o cuidado começa por esse reconhecimento: cada pessoa merece ser tratada com dignidade, inclusive nos momentos em que encontra dificuldade para organizar em palavras o que sente.
O Setembro Amarelo também exige informação responsável. O suicídio é um fenômeno complexo, relacionado a múltiplos fatores, e não deve ser explicado por uma única situação, por conflitos familiares ou por falta de força de vontade. Sua prevenção envolve uma rede de apoio e acesso aos serviços de saúde. Ministério da Saúde
Por isso, valorizar a escuta também significa reconhecer seus limites. Diante de sofrimento intenso ou de pensamentos de suicídio, o acolhimento precisa caminhar junto à avaliação e ao acompanhamento de profissionais de saúde qualificados. Uma conversa pode abrir uma porta para o cuidado; é necessário ajudar a pessoa a atravessá-la.
Isolamento, desesperança e falas sobre querer morrer merecem atenção. Esses sinais não devem ser avaliados isoladamente nem tratados como exagero. Oferecer companhia para buscar atendimento é uma maneira concreta de apoiar. Ministério da Saúde
Quero deixar, nesta coluna, um convite para o cotidiano: quando perguntar como alguém está, procure reservar espaço para a resposta. E, quando for você quem precisar falar, lembre-se de que não precisa encontrar as palavras perfeitas para começar.
Desejo que a atenção despertada em setembro se transforme em presença ao longo do ano, nas nossas relações, nas conversas e na disposição de buscar ajuda quando necessário.
Onde encontrar apoio
As Unidades Básicas de Saúde e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) são caminhos para buscar atendimento pelo SUS. Em caso de perigo imediato, não deixe a pessoa sozinha: acione o SAMU, pelo 192, ou procure uma UPA ou pronto-socorro. Ministério da Saúde
O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, durante 24 horas por dia. O serviço não substitui atendimento de emergência.
Por Fernanda Canassa | Terapeuta
Fernanda Canassa é terapeuta, com atendimentos online e presenciais em Fernandópolis. Nesta coluna, compartilha reflexões sobre autoconhecimento, relações e cuidado emocional.