POR GIL CIPRIANO - GIL ACERVO ESPORTIVO - IMAGENS DA INTERNET
No mundo globalizado, as desigualdades sociais e econômicas tornam muito evidente. Isto é triste e muito preocupante.
A colonização e exploração na América e na África além da dizimação, tiraram riquezas minerais, a humanidade e oportunidades da população.
O que não conseguiram tirar é a alegria, habilidade e irreverência principalmente dos africanos no seu Futebol.
Os grandes clubes europeus possuem em grande parte de seus elencos jogadores de origem africanas ou de seus progenitores destes países.
Seria correto falar em uma nova forma de exploração do talento africano pelo futebol europeu? Basta observar os valores envolvidos na contratação e comercialização desses atletas.
O futebol praticado pelos africanos é contagiante. Caracteriza-se pela determinação, pela habilidade, pela criatividade e pela irreverência dentro de campo.
Recordo-me da seleção de Camarões na Copa do Mundo de 1990, na Itália. Mesmo após a derrota e a eliminação, seus jogadores não demonstravam abatimento. Pelo contrário, transmitiam alegria e satisfação por terem representado, com dignidade, seu país e o continente africano.
Na fase de 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, entre as 32 seleções classificadas, nove eram africanas, o equivalente a cerca de 28% dos participantes.
Era previsível que a eliminação acontecesse em algum momento. O que poucos imaginavam era a determinação desses guerreiros. Mesmo enfrentando campeões mundiais e os grandes favoritos ao título, honraram o manto e dignificaram suas origens.
Entretanto, muitos dos principais jogadores de origem africana defendem seleções europeias em razão da diáspora africana. Caso representassem exclusivamente seus países de origem, talvez o continente africano tivesse uma trajetória ainda mais expressiva nas Copas do Mundo.
Independentemente dessa nova dinâmica do futebol mundial, o mais prazeroso continua sendo assistir ao futebol praticado pelos africanos. Ninguém lhes tirará a autenticidade, a habilidade, a alegria de competir e o espírito guerreiro que demonstram em campo.
Os africanos mostram que, por meio do futebol, ainda é possível competir em alto nível com as maiores potências do mundo, oferecendo um espetáculo de talento, coragem e identidade, sem dever muito aos tradicionais favoritos.