Estudo do Centro do Professorado Paulista (CPP) aponta sensação generalizada de insegurança entre docentes e reforça necessidade de atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente. Pesquisa foi realizado em duas etapas: com professores e com diretores de instituições de ensino A segurança no ambiente escolar voltou ao centro do debate nacional. A 1ª edição da pesquisa “A percepção da docência frente à violência nas escolas”, realizada pelo Centro do Professorado Paulista (CPP) com 1.144 professores associados da rede pública e privada e 518 gestores escolares, revelou que 92,5% dos docentes defendem a revisão do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) como medida essencial para garantir proteção adequada aos profissionais da educação. O estudo foi dividido em duas etapas. A primeira fase, exclusiva com docentes associados, apontou que a maioria dos entrevistados não se sente segura no ambiente escolar, especialmente mulheres jovens, de 25 a 34 anos, contratadas temporariamente e atuantes na educação infantil e no ensino fundamental, que se mostraram o grupo mais vulnerável à violência. Entre os casos relatados estão agressões verbais e psicológicas, episódios de violência física, ameaças de morte e situações classificadas como violência institucional, caracterizada pela falta de apoio da gestão escolar diante dos casos de agressão. A segunda etapa, com diretores e representantes de instituições de ensino, confirmou o cenário: grande parte dos gestores afirmou conhecer ou presenciar episódios de violência contra professores, demonstrando que o problema é generalizado e não se restringe a um tipo específico de escola. As escolas públicas concentram o maior volume de casos, mas unidades particulares também relataram conflitos com famílias e desrespeito crescente. “Estamos diante de um retrato alarmante da realidade escolar brasileira”, afirma o Alessandro Soares, Diretor-Geral Administrativo do Centro do Professorado Paulista. “O professor tem sido alvo de agressões verbais, físicas e institucionais, e isso compromete não apenas sua integridade física e emocional, mas o próprio processo educacional e a qualidade do ensino”, completa o especialista, que também é pedagogo e advogado. ECA no centro da discussão Embora reconheçam a importância do ECA para a proteção de crianças e adolescentes, professores e gestores apontam que lacunas na legislação geram sensação de impunidade e fragilizam o ambiente escolar, dificultando ações disciplinares. “O ECA é um marco de proteção e deve ser preservado em sua essência. No entanto, é inegável que o contexto atual exige atualizações”, afirma Soares. “Hoje, há uma percepção de impunidade que precisa ser revista para proteger quem está na linha de frente da educação. Não podemos permitir que a escola se transforme em um ambiente de medo”, reforça. Ainda segundo a pesquisa, mais de 60% dos professores relatam ter sido vítimas de algum tipo de violência em ambiente escolar, sendo a violência verbal e psicológica predominante, seguida por agressões físicas. Relatos indicam ainda reincidência de casos, ausência de suporte institucional e impacto direto na saúde mental dos educadores. “Os professores adoecem, sentem medo, se desgastam emocionalmente e, muitas vezes, não encontram respaldo dentro da própria instituição”, destaca o dirigente. “Revisar o ECA e garantir segurança ao educador é condição indispensável para assegurar o direito à educação e fortalecer o papel social da escola”, finaliza. A favor dos professores Fundado em 1930, o Centro do Professorado Paulista (CPP) é uma associação de classe que representa mais de 75 mil professores no estado de São Paulo. Ao longo de sua história, a entidade tem se dedicado à defesa dos direitos do magistério e à promoção da qualidade da educação pública, acumulando importantes conquistas para a categoria. Com 89 sedes pelo estado, quatro delas na capital , o CPP oferece uma ampla rede de apoio aos educadores. Além de cursos e formações pelo Instituto “Sud Mennucci”, a entidade disponibiliza suporte jurídico, incluindo atendimento especializado aos professores vítimas de qualquer forma de agressão ou desrespeito no exercício da profissão. Nesses casos, o CPP garante acompanhamento completo, desde a esfera administrativa até a judicial. A instituição também oferece atendimento médico e odontológico, além de atividades de lazer e bem-estar, como colônias de férias, clubes e alojamentos. O CPP mantém forte atuação cultural e editorial, promovendo eventos, debates e publicações que valorizam a educação. Mais do que uma associação de classe, é um espaço de acolhimento e representatividade, comprometido com a defesa do trabalho docente e com o fortalecimento da carreira de professores em todo o estado. Sobre o Alessandro Soares Pedagogo, advogado e Diretor-Geral Administrativo do Centro do Professorado Paulista (CPP), o Professor Alessandro Soares há mais de 20 anos,dedica sua vida a ouvir, compreender e defender quem está na linha de frente da educação, os professores. Com uma trajetória construída dentro das escolas e ao lado dos educadores, acredita que ensinar vai muito além do conteúdo. Para ele, uma educação de qualidade só é possível quando caminha junto com o que forma o ser humano por completo. O esporte, a cultura e o lazer, precisam fazer parte disso. Essa é a base da sua defesa por uma educação que dialogue com o que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante: o direito de aprender, conviver e se desenvolver plenamente. À frente do CPP, Alessandro tem sido uma voz firme e sensível na luta por políticas que valorizem o professor e transformem a escola em um espaço de oportunidades reais. Sua atuação mostra que a educação só faz sentido quando coloca as pessoas no centro porque é nelas que mora o verdadeiro poder de transformar o futuro.